Balanço


A época é essa, boa hora para se fazer um balanço. Demorei a entender o que isso significava, de ver o ano como se fosse a análise do livro-caixa de uma empresa. De um lado o que entrou, do outro o que saiu. E no fim das contas, se foi positivo ou negativo. Caneta vermelha ou azul. Suponho que seja mais fácil fazer isso com números do que com emoções, conquistas e sentimentos. Ninguém fica contabilizando quantos amigos ganhou no ano que se finda e nem quantos pretende conseguir no que se aproxima. Mas, ainda assim, resolvi colocar 2008 na ponta do lápis.

Comecei o ano me separando, depois de doze anos de convivência. E a conta foi alta, no bolso e no coração. Mas agora, faltando poucos dias para começar 2009 no calendário cristão, realmente foi uma decisão acertada. As coisas se ajeitam com boa vontade. Pra suprir o que ficou menor no orçamento, levei à frente um projeto que há tempos estava adormecido na minha cabeça. Contei a idéia para dois malucos que me apoiaram e fizeram dar certo, ou seja, a grana entrou. E como diz o Lobão, o riso corre frouxo quando a grana corre solta. O coração também vai bem, obrigada. Mais sossegado, apaixonado por várias coisas, aberto e disponível para amar novamente.

Mas não se deixe levar pela aparência, nada foi fácil. Fiquei muitos domingos sem me levantar da cama. E muitos outros em que tentei e não tive força suficiente. E outros tantos em que só não sucumbi porque tinha gente do meu lado pra me agüentar chorando – que nem manteiga derretida, como diz meu pai. Continuando o dramalhão, no meio do ano, outro golpe que doeu bonito. Eu e Val, a outra redatora de merda, agora estamos separadas por uma hora e meia de avião ou quinze horas de ônibus - algumas a menos de carro, mas não me arriscaria dirigir em São Paulo. O dinheiro também nos separa, companhias aéreas não dão desconto, não sabem o que é ter amigos longe. Tá uma droga ficar longe da Val, mas é assim e pronto. Vamos em frente.

Em 2008, voltei pro tae know do. E consegui mais uma graduação. Em 2008 também comprei meu primeiro carro zero. Em 2008, vi o Escafandro e a Borboleta e me deu uma puta vontade de fazer um trabalho voluntário: ler para cegos. Em 2008 conheci alguém com disposição de vir de Pernambuco ao Espírito Santo de bicicleta. Em 2008, tomei um porre inesquecível – principalmente por não lembrar de quase nada. Posso dizer com toda a certeza: 2008 foi difícil pra cacete. E, na mesma medida, foi um grande ano. Feliz 2009 pra você.


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