Do you wanna dance?


Tenho inveja de quem sabe dançar. E a culpa por eu não saber deixo toda com a minha mãe, que não me colocou no balé quando eu tinha três anos de idade, nem falou pra eu fazer jazz quando tinha dez. Não tenho ritmo, não sei acompanhar as coreografias inventadas na hora nas festinhas bagaceiras, sou desajeitada até.

Teve um filme que ficou seis meses em cartaz no cinema da UFES, o Metropólis. Acho que o nome era Vem dançar comigo, se não me engano era um filme australiano. Pelas filas que se formavam na porta do cinema, imagino que muita gente compartilha comigo a inveja de não saber rodopiar nos salões de baile com a elegância de uma bailarina russa (meu deus, de onde tirei isso?).

Se tenho um sonho, ou mais um, é aprender a dançar. E não é só isso. Sonho em ser levada pelos braços por alguém que também dance como Fred Astaire. Que me pegue pela mão na hora da música perfeita, que o tempo pare na hora, que a vida fique em câmera lenta. Na verdade, não precisa tanto. Já iria ficar feliz só com a encenação de uma dancinha de corpos encaixados, rostos colados e pés certamente pisados.

Perto do meu trabalho tem um clube, o Centenário, onde um professor chamado Emerson Barreto dá aulas de dança de salão. Quase todos os dias penso em ir lá me inscrever, mas ainda não consegui coragem suficiente. Fico pensando na seguinte cena: Olá, boa noite. Eu vim fazer a aula de salão. Se eu sei dançar? Não, não. Se eu gosto de musicais? Sim, por quê? Bee Gees, não, nunca dancei nenhuma música dos Bee Gees. E neste exato momento vem lá de dentro um rapaz de terno branco que atende pelo nome de Tony Manero, me puxa pela mão, as luzes se apagam, o globo espelhado começa a girar e só conseguimos ouvir ah, ha, ha, ha, stayin' alive, stayin' alive. Dançar pode ser muito arriscado.



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© 2017 By Elisa Quadros. Foto: Leandro Queiroz/Shutterstock

Elisa Quadros

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