Declaração de ódio


Odeio quem buzina. Não quem faz um bi rápido, mas quem faz questão de descer a mão e soltar um biiiiiiiiiii de doer a alma. Ou quem pára em frente ao portão de alguém e cria uma melodia: bibi bibibibi bi bi biiiiii. E repete isso umas quatro vezes. Odeio quem não pede licença, não dá bom dia no elevador e se faz de sonso ao entrar numa fila. Odeio o Faustão, Gugu e seus genéricos. Antes de ter TV paga, assistia à TV Cultura aos domingos. Prefiro os programas que mostram elefantes e pavões em seus habitats naturais. Odeio gente estressada o tempo todo e gente que não muda o discurso: ai, menina, to tão cansada, to trabalhando tanto...Só você né, fofa? Odeio gente blasé. Odeio gente mal-educada, pedante, arrogante e gente que arrota alto no meio da rua. Odeio gente grossa. Odeio axé e daí pra baixo. Odeio peruinhas com som alto que tocam, adivinha o que, axé em pleno sábado de manhã pra anunciar uma micareta qualquer. Odeio gente que quer se enturmar rápido demais. Odeio Campari. Odeio bar com lâmpada florescente e mesa de plástico, a não ser nos pés sujos originais. Odeio médico que atrasa no consultório e não pede desculpa pela demora. Odeio cachorro pincher quando late e poodle pintado de rosa. Odeio puxa-saco. Odeio simpatia em excesso. Odeio e-mail com mensagens mela-cueca. Odeio drama e gente melindrada. Odeio escândalo. Odeio frescura mas também odeio machos muito machos. Odeio gente que bebe e perde a noção. Odeio cocaína. E, por fim, odeio bala de coco.



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© 2017 By Elisa Quadros. Foto: Leandro Queiroz/Shutterstock

Elisa Quadros

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